OFICINA NA COPA

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||| 01 de julho DE 2026 ||| 4ª feira ||| Dia internacional da piada ||| *Reflexão: "Melhor lutar por algo do que viver para nada". (Winston Churchill) |||

Bem vindo

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O Dia Internacional da Piada observa-se anualmente a 1 de julho. Trata-se de uma data não oficial, mas que é comemorada por todo o mundo com pompa e circunstância. Os países partilham as suas maiores piadas numa tentativa de dar ao mundo um sorriso de orelha a orelha, afastando toda a tristeza, drama e negatividade logo no abrir da segunda metade do calendário gregoriano. Origem do Dia da Piada A data terá sido criada por Wayne Reinagel em 1994, para promover os seus livros de anedotas. Como o mundo já tem problemas e infelicidades que cheguem, a ideia da data é rir e afastar as insatisfações, começando a segunda metade do ano com uma nova mentalidade.

pensamento dia

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Frase

Frase
Samuel Johnson (Lichfield, 18 de setembro de 1709 — Londres, 13 de dezembro de 1784), conhecido em língua inglesa como Doutor Johnson (Dr Johnson), foi um escritor e pensador inglês conhecido por suas notáveis contribuições à língua inglesa como poeta, ensaísta, moralista, biógrafo, crítico literário e lexicógrafo. Possivelmente, o "mais distinto homem de letras da história da Inglaterra", Johnson é personagem da "mais reconhecida biografia do mundo da literatura", o trabalho Life of Samuel Johnson de James Boswell.

 

terça-feira, 30 de junho de 2026

O fenômeno Cazé TV, nos bastidores da copa. Inevitável não falar dele.

 

O Pecado de Enxergar Primeiro

Por Herbert Drummond

Tem um fantasma assombrando os bastidores desta Copa de 2026. Ele não entra em campo, não calça chuteira e não bate falta. Ele veste terno, fala com aquele tom professoral de quem é dono da verdade e está sofrendo de uma dor terrível: a dor de ter perdido o monopólio da relevância.

Antes de iniciar, quero dizer que não tenho "procuração" para falar em defesa da CazéTV e nem é esse o propósito. Meu objetivo com este post é defender o direito do torcedor — e me incluo nesse grupo — de acompanhar os jogos da Copa sem censura e se divertindo, exatamente como são as transmissões da turma do Casimiro.

Estou falando dessa campanha barulhenta e visivelmente orquestrada que resolveram levantar contra a CazéTV. De repente, os barões da mídia tradicional (notadamente a esportiva) viraram paladinos da moralidade e descobriram uma súbita preocupação social com os anúncios de apostas esportivas no streaming, as chamadas bets. Apontam o dedo para a internet como se a tela da TV aberta e os intervalos do horário nobre não estivessem igualmente entupidos, dia e noite, pelo mesmíssimo dinheiro dessas plataformas.

Vamos deixar o verniz de lado? Não se trata de uma cruzada em defesa do cidadão ou contra os malefícios que o vício em jogos traz; é o clássico linchamento do pioneiro, a mera negação do novo. É inveja comercial pura e simples, briga por dinheiro. O "crime" da CazéTV não foi colocar patrocinador na tela; foi ter a audácia de quebrar a banca e mudar a fórmula do espetáculo.

O mercado tradicional cometeu o erro fatal de ignorar a história. O mundo dos negócios está cheio de cadáveres corporativos de gigantes que achavam que eram eternos. Vejamos, para ilustrar o argumento, alguns exemplos clássicos: a Kodak jurou que as câmeras digitais eram um brinquedo passageiro; a Nokia olhou para o primeiro smartphone e não levou a sério; a Enciclopédia Britannica achou que a internet jamais substituiria seus pesados volumes na estante; e as cooperativas de táxi riram do primeiro protótipo do Uber. O final dessa história a gente já conhece.

A mídia tradicional é a nova Kodak do futebol. Tiveram o mesmo tempo, as mesmas pistas de que o público telespectador queria outra coisa — queria diferença, novidades. Preferiram sentar na própria arrogância e agora tentam recuperar espaço detonando quem apostou nos novos tempos.

Vivi, como profissional, os bastidores da mídia esportiva entre 1963 e 1971 e continuei acompanhando este universo de perto. Posso atestar: o que mudou de lá para cá foi apenas a tecnologia de transmissão — o satélite, o cabo, o HD. Mas a alma, os métodos e os jargões da TV clássica e do rádio continuaram exatamente os mesmos, presos num purismo estéril de estúdio plastificado.

O público simplesmente cansou desse engessamento, e já faz tempo. Ninguém quer mais ser um mero joguete em duelos repetitivos de audiência, um número frio de IBOPE, obrigado a ouvir analistas que usam suas pranchetas para ditar regras e teorizar sobre esquemas e estratégias pouco inteligentes e quase ininteligíveis.

A grande mídia tenta rotular quem migrou para o streaming como uma massa de "jovens alienados". Erro crasso. Esse grupo crescente só quer resgatar o prazer da transmissão viva, divertida e moderna na sua essência. No fundo, são os legítimos herdeiros do radinho de pilha que ressurgem.

Toda aquela resenha, a piada interna, a corneta e a cumplicidade que a turma do Casimiro entrega hoje no YouTube é a evolução direta da atmosfera que grandes narradores do rádio, como Oduvaldo Cozzi, Fiori Gigliotti, Valdir Amaral, Jorge Cury, José Carlos Araújo e, mais recentemente, Osmar Santos, criavam antigamente. 

O rádio falava ao pé do ouvido do torcedor, era visceral, humano e vivo. A TV engessou o futebol com transmissões frias, assépticas e "bem-educadas". Quis imitar o rádio, mas nunca conseguiu. A CazéTV trouxe de volta a conversa de bar, incluindo alguns palavrões inofensivos que fazem parte do verdadeiro clima dos estádios.

Podem continuar chiando e inflando discursos moralistas de conveniência. Os herdeiros do radinho de pilha já decidiram onde estão a emoção e a autenticidade. O caminho de volta para a caverna do formato antigo não existe. A grande parcela que realmente ama a emoção do futebol quer estar com o Cazé, com a turma dele e com o futebol de verdade.

Que venham (e virão...) mais Cazés no universo das transmissões esportivas, é isso que o público quer. A questão das Bets, é outro assunto.

Este artigo contou com o suporte da Inteligência Artificial (Gemini) na estruturação e revisão textual, mantendo a essência e as memórias do autor.

segunda-feira, 29 de junho de 2026

O Efeito Ancelotti: Como a Liderança de Vestiário Mudou o Jogo no 2º Tempo

 



No intervalo, frustração a caminho do vestiário.

Quem assistia ao primeiro tempo da seleção viu um roteiro que se tornou comum no futebol moderno: um time talentoso, mas engessado, batendo de frente contra uma marcação forte e sofrendo com o peso da pressão. O clima que se desenhava para o intervalo era de frustração. Ficava claro que o plano inicial não tinha funcionado e que o time precisava de um rumo.

Mas o futebol, assim como o ambiente corporativo, não é feito apenas de planejamento inicial. É, acima de tudo, sobre a capacidade de recalibrar a rota sob pressão. E foi exatamente nos 15 minutos de intervalo que o jogo começou a ser ganho.

A Autoridade Silenciosa no Vestiário

Em momentos de crise, a reação natural de muitos líderes é elevar o tom de voz, ditar regras com urgência ou transferir a tensão para a equipe. Com Carlo Ancelotti, o processo é o oposto. O vestiário da seleção não encontrou desespero; encontrou a famosa "calmaria cirúrgica" de um técnico que já viu de tudo no futebol.

A liderança inconteste de Ancelotti não se impõe pelo grito, mas pela autoridade de seu histórico e pela clareza de suas ideias. Quando ele fala, o elenco não apenas escuta — ele compra a ideia. Há uma confiança cega dos jogadores no seu comandante. Essa segurança psicológica foi o primeiro e mais importante elemento restabelecido no intervalo: antes de mudar a tática, foi preciso desarmar o nervosismo e devolver a estabilidade ao grupo.

O Tabuleiro do Segundo Tempo: Da Estratégia à Execução

Com os ânimos alinhados, veio a leitura de jogo. O que se viu, claramente, foi o "dedo do "Ancelotti:

1) Mexeu onde doía no adversário, sua fragilidade nas bolas paradas, nos cruzamentos sobre a grande área. 

2) Ajustou o posicionamento dos pontas para alargar o campo, 

3) Compactou as linhas de marcação,

4) Promoveu aquela substituição cirúrgica, de Paquetá (machucado) por Martinelli, o que redesenhou o meio-campo.

A execução foi imediata e precisa.

5) A "cereja do bolo" no vestiário: não substituiu o Casemiro, que cá para nós estava "enterrando" o time no 1º tempo. Todos nós, incluo-me, pedimos a sua saída. Mas não aconteceria com um líder como Ancelotti. 

Casemiro é seu "homem de confiança", todos sabem. Deve tê-lo chamado  e falado baixinho, no seu ouvido, levantando sua autoestima e chamando-o aos brios. Mais do que todos, ele conhece o atleta e sabe o seu valor. E o que vimos foi um novo Casemiro no 2º tempo. Até achou o caminho para o esperado gol de empate.

O que vimos no segundo tempo foi uma metamorfose. A seleção voltou com outra postura: mais agressiva, mais consciente e, fundamentalmente, mais organizada. O gol de Martinelli, coroou o esforço de todos. Valeu!

A estratégia desenhada no vestiário transformou-se em domínio (quase) absoluto dentro das quatro linhas. O time jogou com a certeza de quem sabia exatamente o que estava fazendo e, mais importante, por quem estava fazendo.

A Grande Lição de Gestão

O desfecho da partida nos deixa uma lição clara que ultrapassa as quatro linhas: grandes líderes não se desesperam na crise. Eles acalmam o ambiente, reorganizam as peças com precisão e dão a direção exata de que a equipe precisa para virar o jogo.

A vitória no segundo tempo não foi um mero acaso físico ou técnico. Foi o resultado prático de uma liderança de vestiário que sabe a hora de acolher, a hora de cobrar e a forma exata de extrair o potencial máximo de um elenco que joga por ele. É o peso do fator humano mudando os rumos da história.

👉Autor: Herbert Drummond (com ajuda parceira da IA do Gemini)

domingo, 28 de junho de 2026

As safadezas da memória

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Falar sobre memória no âmbito de um blog sobre gerência é pertinente. Alguém imagina um executivo - seja ao nível for - que não tenha uma boa memória? Pense numa catástrofe administrativa. Pois é isso que ocorrerá se alguém numa função de comando de repente começar a ratear o motor do seu sistema de memória. 
Agendas, ordens verbais, compromissos pessoais e corporativos são itens que estão obrigatória e permanentemente nas memórias dos executivos. Sem que esse mecanismo funcione e muito bem, as carreiras dos "esquecidos" irão pelo ralo nas primeiras demonstrações de "memória fraca". Já vi isso acontecer mais de uma vez.
É interessante como esse tema não é colocado em discussão e debatido entre os muitos tópicos que povoam o universo corporativo dos livros e das palestras. 
Na busca que fiz no Google, não se pode dizer que existam muitos links disponíveis, mesmo porque se deve procurar por "memória humana". Se colocarmos simplesmente "memória" os links predominantes serão aqueles referidos às memórias de computadores. 
Assim sendo, quando li esse artigo que vi no caderno do New York Times que a Folha de São Paulo publica nas segundas-feiras, não hesitei em copiá-lo para reprodução aqui no blog. Hoje surgiu a oportunidade. 
O autor é um respeitado jornalista do NYT - Kevin Delaney - que consegue uma ótima abordagem do assunto em seu artigo. Recomendo a leitura para aqueles que pretendem seguir a "doce" carreira de gerente/executivo. Os links e imagens que estão ilustrando o texto não fazem parte do original. Foram colocados pelo autor desse blog.

Este post foi publicado originalmente em março de 2011 (há 15 anos, portanto). Por que republicá-lo agora? Acontece que o post voltou a ser redescoberto pelos leitores e, de repente, cresceu no escore dos mais lidos que o Blogger disponibiliza para os seus blogueiros. Releio o artigo da Folha, e concluo que merece ser conhecido novamente por uma nova geração. Vale a releitura, pois o texto e o tema continuam atualizados. Confirmem, e comentem.



São Paulo, segunda-feira, 21 de março de 2011




As safadezas da memória

Autor - Kevin Delaney
Lembrar onde encontrar comida no meio da floresta, evitando o tigre dente de sabre que vive no local, já foi uma questão de sobrevivência. Por isso, o cérebro humano evoluiu para armazenar informações necessárias. Mas, nos séculos mais recentes, a tecnologia - da prensa de Gutenberg ao iPad de Steve Jobs - tem feito esse trabalho por nós.

Isso pode explicar por que muita gente não consegue se lembrar de senhas, telefones ou de onde deixou a chave do carro. E por que os chimpanzés ganham dos humanos em alguns tipos de teste de memória. Felizmente, alguns especialistas estão buscando formas de aperfeiçoar a memória - com uma ajudinha de uma supermodelo alemã.

Em seu livro "Moonwalking With Einstein: The Art and Science of Remembering Everything" [Andando na lua com Einstein: a arte e a ciência de lembrar tudo], Joshua Foer escreve que "a evolução programou o cérebro para encontrar duas coisas particularmente interessantes e, portanto, memoráveis: piadas e sexo -e sobretudo, ao que parece, piadas sobre sexo".

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No caso de Foer, ele aprendeu a se lembrar de fatos e detalhes obscuros associando-os a um lugar familiar ou, melhor ainda, a alguma imagem bem-humorada e excitante - como, por exemplo, Claudia Schiffer nadando em um tanque de queijo cottage.

Com só um ano de treino, esse sujeito, antes incapaz de lembrar o aniversário da namorada, chegou à final do Campeonato Americano de Memória de 2006. Bastaram "alguns truques e uma boa imaginação erótica", como notou Maureen Dowd no "New York Times".

Só que a técnica não é nova. Os treinamentos de memória de Foer se inspiram nos antigos romanos e em Pedro de Ravena, um jurista italiano que escreveu no século 15 que "se você quer se lembrar rapidamente, disponha as imagens das mais belas virgens nos lugares das lembranças".

Quem tem problemas de memória ou mentes irremediavelmente castas possui outros recursos, especialmente num momento em que a geração do "baby boom" envelhece e se dispõe a gastar dinheiro para preservar suas lembranças. Um "pró-memória" do Google e várias dicas, técnicas, seminários e suplementos de ervas vão surgir.

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Uma técnica, chamada "retroalimentação neurológica", propõe usar a informática para reprogramar ondas cerebrais. É caro e polêmico, mas defensores prometem "mudanças duradouras na atenção, na memória, no humor, no controle da dor, no sono e em muito mais", relatou o "Times". Para William Pelham Jr., diretor do Centro para Crianças e Famílias da Universidade Internacional da Flórida, isso não passa de "charlatanismo maluco".

Outro auxílio à memória pode ser mais promissor. Pesquisadores em Israel e Nova York relataram neste mês que a memória dos ratos melhorava com injeções da enzima chamada PKM-zeta. Mas os cientistas salientam que uma droga totalmente aprovada para aperfeiçoar a memória ainda pode estar distante.
Enquanto isso, existe uma maneira de ajudar os cérebros mais velhos a não esquecerem as coisas; continuar trabalhando. Como noticiou o "Times" no ano passado, um estudo com idosos nos EUA e em 12 países europeus sugeriu que a aposentadoria precoce acelera o declínio da memória.

Ou, como declarou, certa vez, Pablo Casals, o virtuoso violoncelista que, já nonagenário, conseguia recordar partituras: "Aposentar-se é morrer".

👉Clique aqui, para ler um outro excelente artigo sobre o tema


“Este artigo foi publicado originalmente em 2011. Resolvi republicá-lo pela surpreendente procura que teve nas últimas semanas, pelos leitores. Entretanto, de 2011 para cá, a tecnologia saltou dos iPads para a Inteligência Artificial, e a ciência da mente descobriu que a busca por uma 'pílula da memória' (como as pesquisas da época com a PKM-zeta) era mais complexa do que parecia. No entanto, a lição central, expressada pelo texto, permanece idêntica: nossa imaginação e o trabalho contínuo continuam sendo os melhores remédios contra os esquecimentos.” Peço comentários.




segunda-feira, 15 de junho de 2026

Ainda a "Crise Coletiva de Ansiedade" da seleção, na estréia.

Cartaz oficial com fundo azul e amarelo anuncia a convocação da psicóloga Marisa Santiago para acompanhar a Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026. Marisa aparece sorrindo, de braços cruzados, vestindo camiseta azul. Texto destaca sua formação e função junto à equipe.
A psicóloga Marisa Santiago, que presta serviços à seleção brasileira na Copa do Mundo de 2026 - marisasantiagopsi no Instagram/Reprodução - Esta "convocação" está no instagram da psicóloga.



Não iria mais abordar a "crise de identidade da seleção" contra o Marrocos. Mas mudei de ideia ao ler um artigo na Folha de S.Paulo que toca exatamente na mesma ferida. Como ainda não tinha visto a grande mídia analisar o jogo sob essa ótica, não quis perder a chance de mostrar que a Oficina de Gerência está tocando bola em sintonia com os "profissionais". Minha tese não está isolada.

Sejamos francos: uma derrota do Brasil, para Marrocos, por uns 2 a 0, no primeiro tempo, não teria sido surpresa pelo futebol apresentado pela seleção. Para um grupo de estrelas milionárias, acostumadas a decidir finais nos maiores clubes do mundo, chega a ser patético alegar "ansiedade" para justificar uma atuação tão bisonha.

Confesso que a mim não surpreendeu. Acompanho futebol desde 1958. Cheguei a trabalhar na imprensa esportiva (rádio, jornal e TV, em Recife) por 7 anos. Exponho isso, não por vaidade, mas levei em conta que trazer minha vivência pessoal ao texto é o que, considero, confere certa autoridade ao meu argumento. Gosto de me ver, como "torcedor profissional" e me manter na ativa; ainda não me aposentei (😊). Traduzindo: Já esperava a dificuldade contra o Marrocos.

A grande surpresa foi descobrir que, duas Copas após 2014 (12 anos), a seleção brasileira atual continua refém do "complexo dos 7 a 1". São atletas que se mostraram psicologicamente instáveis, na seleção, ao contrário do que se apresentam em seus clubes. Não todos, mas no coletivo.

Só os mais jovens e recentes na seleção — Endrick e Rayan (principalmente); e ainda o Igor Thiago, Matheus Cunha, Luiz Henrique, Danilo Santos, Gabriel Magalhães e Ibañez — estes últimos, talvez, e repito, talvez não estejam tão contaminados por esse trauma. É minha tese.

Acrescente-se a isso a pressão, o drama pessoal e o medo de encerrar a carreira numa má atuação na seleção, como tantas vezes vista; todo esse conjunto geral produz falta de autoconfiança, baixa inteligência emocional e coisas assim, psicologicamente complexas, notadamente em atletas jovens e emocionalmente vulneráveis.

As seleções de 2018 e 2022, foram profundamente impactadas pelos 7 a 1 e lá estavam Neymar (jogou na copa de 2014, embora não tenha participado da fatídica partida), Marquinhos e Casemiro, hoje líderes do atual grupo sob o comando de Ancelotti. Reconheço que posso estar exagerando, mas pessoalmente tenho receio que, os três (apesar de Neymar não ter jogado) possam ser lideranças, inconscientemente, marcadas pelo complexo da derrota para a Alemanha.

Agora, caberá a Carlo Ancelotti e à sua assessoria psicológica entender que a raiz do problema é essa instabilidade oculta. Consertar o mental do elenco é o verdadeiro desafio de gestão para os próximos jogos da Copa.



Clique aqui e visite a Folha


Depois do empate por 1 a 1 com Marrocos no sábado (13), primeira partida da seleção brasileira nesta Copa do Mundo, jogadores da equipe consideraram que a ansiedade da estreia foi responsável pelo péssimo desempenho no começo da partida.

Nos primeiros 30 minutos, os marroquinos dominaram por completo o Brasil, com amplo controle da posse de bola. Os brasileiros mal conseguiam pegar na redonda, ficavam "na roda" – parecia até aquela brincadeira, chamada popularmente de "bobinho"– e, quando o faziam, a perdiam com rapidez, errando passes constantemente.

Jogadores como Lucas Paquetá, Douglas Santos, Igor Thiago e Vinicius Junior, todos titulares na partida, além do treinador Carlo Ancelotti, afirmaram, citando diretamente a palavra "ansiedade" ou não, que a parte mental afetou o funcionamento corporal.

Felizmente para o Brasil, apesar do começo sofrível e do gol sofrido, este em falhas seguidas da seleção (primeiro, Paquetá perdeu a bola; depois, a marcação no meio não conseguiu bloquear lançamento de Brahim Díaz; por fim, Marquinhos e Gabriel Magalhães, mal posicionados, permitiram Saibari receber livre para encobrir Alisson), Vini Jr., em jogada individual, empatou em um belo gol.

A partir daí, com mais de meia hora do primeiro tempo, a ansiedade diminuiu um pouco, passando ao nível de controle. Ancelotti mexeu no time no intervalo, sacando Casemiro e Ibañez, ambos muito mal no jogo e "amarelados", e a equipe, com nervos menos desequilibrados, portou-se melhor – não muito, mas melhor.

O que faltou, depois de a tecla da ansiedade ter sido tão batida, foi alguém ir atrás de Marisa Santiago e perguntar a ela o que aconteceu. Ainda falta.

Marisa Santiago é a psicóloga que acompanha a delegação do Brasil nesta Copa do Mundo. A CBF incluiu a profissional no grupo, penso que para, entre outras coisas, agir para que a ansiedade não se mostrasse tamanha no jogo inicial.

Que é normal ficar ansioso antes de um acontecimento relevante – a Copa do Mundo é, e a partida de estreia é, isso desde sempre –, não é novidade. Por isso mesmo espanta, havendo uma psicóloga a serviço dos atletas, eles terem tido essa dificuldade.

Afinal, a ansiedade supostamente existe dos dois lados, e os marroquinos não sentiram nada. Caso tenha havido apreensão antes de encarar o pentacampeão Brasil, eles deixaram-na no vestiário do estádio MetLife, em East Rutherford, palco do duelo. Estavam livres, leves e soltos.

A experiência internacional dos jogadores da seleção brasileira, que atuam ou atuaram em grandes ligas da Europa (Inglaterra e Espanha, primordialmente), deveria ser suficiente para reduzir o nervosismo. Evidentemente, para alguns, não foi.

Copa do Mundo é diferente, dirão. É mesmo. Mas por que algumas seleções, e alguns atletas, sentem mais, bem mais, que outros?

Sabe-se que a ansiedade pode até ter um lado positivo, tornando a pessoa (neste caso, o jogador) mais alerta e focada antes de um desafio, porém, em dose excessiva, é prejudicial.

Se Marisa Santiago realizou alguma atividade individual ou em grupo, "sessões de terapia", para controlar a ansiedade da equipe, não funcionou. Se não fez, é necessário explicar o motivo.

Com todo o declaratório apontando esse problema, ela tem trabalho considerável nesta semana para deixar o time com a cabeça no lugar. Se não houve ainda intervenção dela, e se não houver, não sei o que está fazendo lá.


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domingo, 14 de junho de 2026

"Ancelotti, coloca o Endrick". (Tostão)



O 'Oficina na Copa' abre um parêntese hoje para dar voz a quem entende do jogo como poucos. Transcrevemos abaixo o artigo de Tostão na Folha de S.Paulo, de hoje, dia seguinte ao da estreia do Brasil na Copa, sob o título "Ancelotti, coloca o Endrick".

Justificamos a escolha pela essência do estilo do autor: frases curtas, pensamento afiado e uma recusa categórica ao espetáculo vazio. Trata-se do futebol examinado com a autoridade, equilíbrio, isenção e seriedade de quem o aprecia e respeita.

Se publico o artigo, é porque concordo com ele, óbvio. Acho que o Ancelotti terá o bom senso de  acatar a pressão (torcida e mídia) e colocar o Endrick nos onze que entrarão em campo contra o Haiti. O Tostão escreve sobre isso.

Tenho cisma de uma coisa. No Real Madrid, ele barrou o Endrick, sistematicamente, contra a mídia e a torcida também. O ex-palmeirense teve que sair para o Lyon (França) e mostrar seu futebol. Agora volta ao clube espanhol, sem o Ancelotti; mas o encontra na seleção; lembremo-nos de que ele não o chamou na primeira convocação...

No jogo amistoso, com o gol da vitória por 2 a 1, do Endrick, contra o Egito, o Ancelotti até o abraçou e deu-lhe uma significativa beijoca na bochecha. Vamos ver agora, depois do arrocho que levou do Marrocos, se o respeitado italiano vence suas reservas e confia no Endrick*, que todos nós queremos ver nos onze do Brasil. Ah! A propósito, compará-lo com o Igor Thiago, cá pra nós, é brincadeira...

* É a hora da CBF, e Carlo Ancelotti encerrar, de vez, essa "teoria da conspiração" de que a Nike atua nos bastidores, desde o Real Madrid, para boicotar a carreira do Endrick. Indícios, sem evidências, desses bastidores estão voltando fortemente nas redes sociais. E não seria o único caso desse tipo de interferência da Nike no  futebol brasileiro, quiçá do mundial.


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No empate por 1 a 1, resultado justo, Marrocos, coletivamente, foi melhor, mas o Brasil possui mais excepcionais jogadores.

As chances de gols foram iguais. O Brasil começou a partida com um quarteto pelo centro (Casemiro, Bruno Guimarães, Paquetá e Raphinha), além dos atacantes Vini e Igor Thiago. Durante a partida, houve, progressivamente, várias mudanças individuais e de posicionamento. Vini fez um belíssimo gol, mas errou muitos lances. Faltou, principalmente, mais talento no meio-campo, troca de passes e domínio da bola e do jogo. Igor Thiago foi mal, sendo substituído.

Ancelotti, coloca o Endrick!

Espanha, Portugal e Argentina, por terem excepcionais meio-campistas e por filosofia, preenchem mais o meio-campo, têm mais domínio da bola e alternam a troca de passes com as jogadas rápidas. Já a França, por ter excelentes atacantes, prioriza a velocidade em direção ao gol. A Alemanha avança com muitos jogadores, porém deixa enormes espaços na defesa. A Inglaterra busca o equilíbrio entre os setores.

Nossa seleção tem sido criticada por não ter, próximo ao Mundial, uma definição da escalação e da estratégia. Esta justificativa, quase sempre usada, é que Ancelotti só teve um ano no cargo. Não vejo isso como problema. Vários grandes times e seleções que ficaram na história foram formados em pouco tempo. Mais importante é unir as características e qualidades dos jogadores do que o tempo.

Zagallo assumiu o comando da seleção de 1970 poucos meses antes da estreia. A escalação e a estratégia foram definidas perto do Mundial, com a troca de um ponta-esquerda (Edu) por um terceiro jogador no meio-campo (Rivellino), a escolha do volante Piazza como zagueiro, além da definição de que eu seria o centroavante. A Argentina, dirigida por Scaloni, mudava a equipe a cada partida, tornando-se campeã mundial de 2022.

Cruyff dizia que, na Copa de 1974, a Holanda de Rínus Michels definiu duas semanas antes da estreia a maneira revolucionária de jogar que encantou o mundo.

Diferentemente das outras seleções, Ancelotti, nas últimas semanas, mudou várias vezes a escalação e o posicionamento de alguns jogadores. O técnico não é refém de nenhum dogma, de nenhuma estratégia. Define a maneira de jogar e a escalação de acordo com o momento, a qualidade e as características dos jogadores do time brasileiro e do adversário.

Ancelotti é flexível, capaz de, diante de circunstâncias inesperadas e negativas, tomar decisões corretas. Ele não tem filosofia, sua grande qualidade, o que não significa que não cometa erros.

Assim é a vida. Vivemos de acertos, erros e incertezas. Os treinadores mais vitoriosos são os que fazem as melhores escolhas. Nada é definitivo. "As coisas vão e voltam, a vida nem é da gente" (João Guimarães Rosa).

As imagens e o negrito, não constam do artigo original, foram colocados pelo blog a título de ilustrações ao texto.