||| 18 de julho DE 2026 ||| sábado ||| dia internacional de nelson mandela ||| *Reflexão: "Não há nada como regressar a um lugar que está igual para descobrir o quanto a gente mudou." - Nelson Mandela |||

 

Bem vindo

Bem vindo

O Dia Internacional de Nelson Mandela é celebrado anualmente em 18 de julho, data de nascimento de Nelson Rolihlahla Mandela. A efeméride homenageia um dos maiores defensores da liberdade, da igualdade, da democracia e da reconciliação do século XX. Instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU), a data convida pessoas de todo o mundo a seguirem o exemplo de Mandela por meio de ações de solidariedade, voluntariado e compromisso com a construção de uma sociedade mais justa e inclusiva. Origem da data Em 2009, a Assembleia Geral da ONU proclamou oficialmente o 18 de julho como o Dia Internacional de Nelson Mandela, e a primeira celebração ocorreu em 2010. A criação da data reconhece a extraordinária contribuição de Mandela para a promoção da paz, dos direitos humanos, da democracia, da justiça social e da resolução pacífica de conflitos. Quem foi Nelson Mandela? Nelson Rolihlahla Mandela nasceu em 18 de julho de 1918, na aldeia de Mvezo, na África do Sul, e faleceu em 5 de dezembro de 2013, aos 95 anos. Formado em Direito, tornou-se advogado e dedicou grande parte da sua vida à luta contra o apartheid, o regime de segregação racial que, durante décadas, negou direitos fundamentais à população negra sul-africana. Por sua atuação política, Mandela foi preso em 1962 e permaneceu encarcerado durante 27 anos, passando a maior parte desse período na prisão de Robben Island. Após sua libertação, em 1990, liderou as negociações que contribuíram para o fim do apartheid e para a realização das primeiras eleições democráticas multirraciais da África do Sul. Em 1994, tornou-se o primeiro presidente negro da África do Sul, conduzindo um processo de reconciliação nacional baseado no diálogo, no respeito e na igualdade entre todos os cidadãos. Nelson Mandela Prêmio Nobel da Paz Em 1993, Nelson Mandela recebeu o Prêmio Nobel da Paz, juntamente com Frederik Willem de Klerk, em reconhecimento aos esforços para promover uma transição pacífica para a democracia na África do Sul. A premiação destacou seu compromisso com a paz, a tolerância, a justiça e a solução pacífica dos conflitos, tornando-o uma referência mundial na defesa dos direitos humanos. (https://www.calendarr.com/brasil/dia-internacional-de-nelson-mandela/)

pensamento dia

pensamento dia

Frase

Frase
Nelson Rolihlahla Mandela (Mvezo, 18 de julho de 1918 – Joanesburgo, 5 de dezembro de 2013) foi um advogado, líder rebelde e presidente da África do Sul de 1994 a 1999, considerado como o mais importante líder da África Subsaariana, vencedor do Prêmio Nobel da Paz de 1993, e pai da moderna nação sul-africana, onde é normalmente referido como Madiba (nome do seu clã) ou "Tata" ("Pai"). Nascido numa família de nobreza tribal, numa pequena aldeia do interior onde possivelmente viria a ocupar cargo de chefia, recusou esse destino aos 23 anos ao seguir para a capital, Joanesburgo, e iniciar sua atuação política. Passando do interior rural para uma vida rebelde na faculdade, transformou-se em um jovem advogado na capital e líder da resistência não violenta da juventude, acabando como réu em um infame julgamento por traição. Foragido, tornou-se depois o prisioneiro mais famoso do mundo e, finalmente, o político mais galardoado em vida, responsável pela refundação do seu país como uma sociedade multiétnica. Mandela passou 27 anos na prisão — inicialmente em Robben Island e, mais tarde, nas prisões de Pollsmoor e Victor Verster. Depois de uma campanha internacional, foi libertado em 1990, quando recrudescia a guerra civil em seu país. Em dezembro de 2013, foi revelado pelo The New York Times que a CIA americana foi a força decisiva para a prisão de Mandela em 1962, quando agentes americanos foram empregados para auxiliar as forças de segurança da África do Sul a localizá-lo. Até 2009, ele havia dedicado 67 anos de sua vida à causa que defendeu como advogado de direitos humanos e pela qual se tornou prisioneiro de um regime de segregação racial, até ser eleito o primeiro presidente da África do Sul livre. Em sua homenagem, a Organização das Nações Unidas instituiu o Dia Internacional Nelson Mandela no dia de seu nascimento, 18 de julho, como forma de valorizar em todo o mundo a luta pela liberdade, pela justiça e pela democracia. [https://pt.wikipedia.org/wiki/Nelson_Mandela]

 

quinta-feira, 16 de julho de 2026

A cruzada dos ressentidos: quem tem medo de Carlo Ancelotti?


O Corporativismo do Fracasso: Ciúme que atrasa o futebol brasileiro.

(autor: Herbert Drummond)


A resistência de setores do futebol brasileiro à mera possibilidade de ver Carlo Ancelotti — ou qualquer estrangeiro de primeira linha — comandar a Seleção Brasileira atualmente,nos nos microfones e painéis esportivos, ara, revela muito mais sobre as nossas próprias fraturas do que sobre a competência do italiano. O que assistimos após a participação brasileira na Copa, não é um debate tático ou um questionamento técnico legítimo. É uma carnificina movida pelo corporativismo, pelo ciúme profissional e por um nacionalismo de conveniência que insiste em manter o Brasil de joelhos, refém do passado.

Gerações de jogadores profissionais, se mantêm em uma espiral descendente de atualização, andando de marcha a ré, eles assistem, impotentes, à invasão de profissionais estrangeiros, técnicos e jogadores — vindos da Europa e da América do Sul — que hoje dominam os principais clubes do nosso próprio campeonato nacional. O pânico de perder o último feudo, a Seleção Brasileira, é o que move essa cruzada do ressentimento.

O boicote a Ancelotti é o sintoma de um futebol que prefere morrer abraçado ao seu orgulho ferido a aprender com quem está no topo. Se o Brasil continuar ouvindo o coro dos ressentidos e dos ultrapassados, a Copa de 2002 deixará de ser o nosso último título para se tornar uma peça de museu de um tempo que não volta mais. É hora de decidir se queremos continuar sendo o país do "já ganhou" nostálgico ou se queremos, finalmente, voltar a ser o país do futebol de ponta.

O Abismo Estatístico

Para ilustrar o tamanho do descompasso histórico e técnico entre Ancelotti e Luxemburgo, vale a pena confrontar a linha do tempo e as prateleiras de troféus:


Período / Critério

Carlo Ancelotti

Vanderlei Luxemburgo (últimos 20 anos)

Século XXI (2001 - Presente)

Multicampeão Europeu: o único treinador a vencer as 5 grandes ligas europeias (Espanha, Inglaterra, Itália, Alemanha e França) e o maior vencedor da história da Champions League (5 títulos).

Espiral Decadente: Acumulou passagens rápidas por clubes médios e grandes do Brasil, sem relevância internacional e com demissões frequentes por falta de resultados e defasagem tática.

Última Conquista Relevante

Champions League e La Liga recentes, mantendo-se no topo absoluto do futebol mundial.

Estaduais esporádicos e campanhas de meio de tabela. Seu último título nacional expressivo foi há mais de duas décadas.

Domínio do Espaço Doméstico

Respeitado globalmente pelas maiores estrelas do futebol mundial (incluindo os próprios craques brasileiros).

Perdeu espaço no próprio futebol brasileiro para a comissão técnica estrangeira (portugueses e argentinos) que hoje ditam as táticas no país.

 O embate de dois modelos: o que está em jogo?

A rigor, esta discussão há muito deixou de ser apenas sobre o nome de Carlo Ancelotti. O italiano virou o para-raios de um embate civilizatório dentro do nosso esporte. O que está em votação, silenciosamente, é a escolha entre dois modelos irreconciliáveis de gestão: de um lado, o planejamento de ciclos longos, ancorado na estabilidade, noA ironia atinge o ápice quando Vanderlei Luxemburgo surge como porta-voz da resistência. Ele, que de fato teve seu momento de brilho no plano doméstico nos anos 1990, representa justamente o marco inicial do descompasso do futebol brasileiro com a modernidade europeia. Sua passagem pela Seleção, na virada do milênio, foi abreviada não apenas pela perda de rendimento em campo, mas por turbulências extra-campo que arranharam a liturgia do cargo. Ver alguém que foi superado pelo tempo e cujas últimas passagens por grandes clubes foram melancólicas, questionar a estatura de um tetracampeão da Champions League é, no mínimo, um atrevimento histórico. O que fala ali não é o analista que presume ser; é a dor de cotovelo de quem viu o bonde da história passar e hoje precisa gritar para ser lembrado.

Na mesma trincheira, temos Romário. Quem é Romário, para avaliar a competência de Carlo Ancelotti?! Como jogador, o "Baixinho" foi um gênio indiscutível, uma lenda que brilhou no tetracampeonato de 1994. No entanto, o gigantismo do Romário atleta nunca se traduziu em profundidade intelectual ou capacidade de análise esportiva fora das quatro linhas. Romário julga o futebol sob a ótica do talento pessoal e do individualismo — justamente a mentalidade que faliu o futebol coletivo do Brasil nas últimas duas décadas. Suas declarações ácidas contra técnicos estrangeiros, especialmente o italiano, agora, não carregam nenhum embasamento técnico; carregam apenas a marra de quem acredita que o futebol moderno pode ser gerido com a mesma informalidade e o mesmo improviso de trinta anos atrás. Spoiler: não pode. Não merece comentários sérios.

Essa ofensiva conjunta não é uma coincidência; é uma reação coordenada de uma "reserva de mercado" assustada. Trazer Ancelotti significa expor a nudez do nosso mercado de treinadores e analistas. Significa admitir que o "país do futebol" parou no tempo em 2002. Enquanto nossos técnicos locais e, consequentemente, as novas g processo científico e na blindagem de um projeto de trabalho; do outro, a velha ciranda do imediatismo histérico, que exige resultados ontem e resolve crises promovendo demissões sumárias e trocas de comando ao sabor do vento. Sabotar a vinda de uma grife internacional é a garantia de que continuaremos operando na lógica do remendo de curto prazo.

A Mobilização dos Progressistas: Pelo Futuro do Futebol

Para romper essa barreira do atraso, é urgente que a ala progressista do nosso futebol — composta por torcedores cansados do mesmo roteiro, dirigentes com visão de futuro, jogadores conscientes e profissionais de imprensa sérios — se mobilize. E essa mobilização precisa se encorpar ao redor de vozes que carregam autoridade moral, técnica e histórica indiscutíveis.

Precisamos do farol de lucidez de um Tostão, que une a genialidade de quem já foi dono do mundo em campo à precisão cirúrgica de suas crônicas; da sabedoria pragmática de um Luiz Felipe Scolari, que conhece como poucos o peso real da camisa amarela e a importância da hierarquia de um projeto; e do rigor analítico de jornalistas como PVC e André Rizek, que se recusam a trocar o debate tático e estrutural pelo ruído barato do corporativismo de cabine.

Conclusão: A Escolha Entre o Futuro e o Museu

O boicote à modernidade que Ancelotti representa é o último suspiro de uma elite e de uma crônica decadentes que preferem ver a Seleção Brasileira morrer abraçada ao seu orgulho ferido a admitir que precisa aprender com quem está no topo.

E, para que esse pacto da mediocridade funcione, o corporativismo das múmias profissionais encontra eco perfeito em uma parcela da imprensa que vive e se promove do fomento ao caos. Os porta-vozes proeminentes, no caso, são Mauro Cezar Pereira, cujo conhecido bairrismo e o hábito de criticar eternamente tudo e todos funcionam como uma espécie de profissão de fé no mau humor; ou de JucaKfouri, um analista visivelmente fora do seu tempo e espaço, cuja acidez contumaz contra qualquer novidade nos faz perguntar: quando foi a última vez que o vimos elogiar sinceramente alguma coisa ou alguém? Juntando-se ao coro, temos ainda Walter Casagrande — cuja relevância na análise esportiva evoca a clássica pergunta: "quem é?"  Respondo: alguém que construiu sua carreira midiática à sombra do brilho eterno de Sócrates e do romantismo da "Democracia Corintiana", mas cuja opinião técnica, hoje, goza de raso respeito em seu próprio meio profissional.

Se as forças verdadeiramente progressistas do nosso esporte — inspiradas pela lucidez de figuras respeitadas — não assumirem o protagonismo dessa narrativa contra essa barreira de ressentidos e profetas do apocalipse, a Copa de 2002 deixará definitivamente de ser o nosso último grande título para se tornar uma melancólica peça de museu de um tempo que não volta mais. Torço para que o jovem presidente da CBF faça o que tem de fazer e resista a esse "canto da sereia".

É hora de decidir se queremos continuar reféns do "já ganhou" nostálgico e do rancor de cabines e redações, ou se temos a coragem de, finalmente, desenhar e bancar o futuro.


Depois que publiquei o post, "descobri" no site da BBC News Brasil um artigo que vem, de forma indireta, corroborar o que estou defendendo. Vou publicar, apenas, a imagem de chamada do texto, um trecho inicial e o link, para quem quiser conhecê-lo; para quem gosta do futebol e está preocupado com os rumos futuros dos caminhos da seleção, recomendo a leitura:

O jornalista escocês Andrew Downie teve o privilégio de testemunhar a alegria do Brasil quando o país venceu a Copa do Mundo pela última vez, em 2002. Àquela época, ele vivia entre Rio de Janeiro e São Paulo e era correspondente de jornais de relevo internacional, como o americano The New York Times, o britânico The Guardian e a agência de notícias Reuters.

Com a mesma honestidade com que admite que a seleção de seu país — a Escócia, derrotada pelo Brasil na fase de grupos — "é ruim", ele afirma que tanto o torcedor quanto o jogador brasileiro deveriam parar de se escorar nas cinco estrelas que ostentam na camisa verde e amarela.

"O brasileiro precisa aprender que não é mais referência. É preciso parar de se gabar de ser pentacampeão, porque isso não importa para a Noruega, o Japão, a Argentina ou para quem quer que esteja jogando contra o Brasil. Eles não têm mais medo do Brasil", diz Downie, por videoconferência, à BBC News Brasil.

Se desejarem, e recomendo àqueles que amam o futebol brasileiro e o querem novamente entre os melhores do planeta, que o leiam clicando aqui. Vale o tempo...

quarta-feira, 15 de julho de 2026

O Legado de um Mestre: Minha Homenagem a Oscar Motomura

 


Ontem, dia 14 de julho, o universo do conhecimento corporativo se despediu de Oscar Motomura, fundador da Amana Key e um dos maiores pensadores de gestão, liderança e estratégia do nosso país e, reconhecidamente, do planeta. Para todos, ele foi um consultor genial; para mim, foi uma inspiração permanente que moldou não apenas a minha trajetória profissional, mas a minha postura diante da vida, um mestre, um mentor invisível e presente ao mesmo tempo.

Minha própria história tem um antes e um depois do curso APG (Programa de Gestão Avançada) da Amana Key. Aquela vivência de apenas uma semana, há muitos anos, depois complementada por vários outros cursos mais curtos, foi um verdadeiro ponto de inflexão. Ali, entendi que a verdadeira liderança vai muito além dos resultados financeiros e das métricas de mercado; ela passa, obrigatoriamente, pela ética, pela sabedoria e pelo impacto humano, dentro e fora da faixa corporativa.

O impacto dos ensinamentos de Motomura na minha vida foi tão profundo que ele se tornou presença constante por aqui, ganhando uma tag exclusiva no blog (clique aqui) para que eu pudesse registrar, comentar e espalhar suas reflexões sobre o futuro das organizações e da humanidade.

Oscar Motomura partiu, mas as sementes que plantou em cada executivo, empreendedor e líder que cruzou o seu caminho continuarão gerando frutos. Que possamos honrar sua memória praticando a gestão humanizada, consciente e transformadora que ele sempre ensinou e defendeu.

Obrigado por tudo, mestre. Sua sabedoria permanece viva entre nós

Para encerrar esta homenagem, transcrevo abaixo um dos seus textos mais célebres, profundos e que melhor sintetizam a filosofia que Oscar Motomura compartilhava na Amana-Key e no APG é o artigo "A Liderança Necessária".

Nesse manifesto, ele provoca líderes de todos os setores a irem além do modelo mental tradicional focado apenas em métricas, resgatando o verdadeiro significado da ética como "a escolha pelo bem comum" e lembrando que liderança é, acima de tudo, um ato de vontade e cidadania.

Todo cidadão bem informado tem uma noção clara dos problemas crônicos que temos em nosso país (na educação, na saúde, na segurança), que, por sua vez, estão presentes na raiz de muitas outras disfunções encontradas nos mais diferentes setores de nossa economia e de nossa vida em sociedade. Se sabemos quais são esses problemas críticos, por que não temos conseguido resolvê-los? Onde estão os líderes capazes de fazer diferença na sua erradicação? Se eles existem, por que não estariam atuando no que é efetivamente necessário? 

Neste artigo, vamos pensar juntos sobre essas e muitas outras indagações, em busca de insights que nos conduzam a efetivas soluções para as equações que nós, como sociedade, temos a responsabilidade de resolver – até pelo legado que queremos deixar para as futuras gerações. 

Vamos iniciar esta reflexão tendo como pano de fundo um grande paradoxo que existe em nosso país: temos um dos maiores PIB do mundo e, ao mesmo tempo, um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) em torno da centésima posição dentre duzentos países. O que está gerando essa situação paradoxal? Excesso de líderes preocupados apenas com a maximização do PIB? Escassez de líderes preparados para atuar nas áreas ligadas ao bem-estar da população, nas quais há problemas crônicos? Falta de sensibilidade dos nossos líderes para perceber as necessidades mais profundas do nosso país? Ou o problema estaria no jeito pouco criativo, superficial e até negligente de lidarem com as necessidades da sociedade?

Afinal, qual seria a liderança necessária em nosso país para eliminar as causas-raiz desse e de outros paradoxos com os quais temos convivido há tanto tempo? E a que liderança estamos nos referindo? Que necessidades precisaríamos atender com excelência para conseguir uma evolução mais equilibrada do país? Comecemos identificando as nossas necessidades mais evidentes (percebidas, grosso modo, pela maioria da população) e os aspectos mais sutis em torno delas; as nossas necessidades menos evidentes, das quais nem mesmo as pessoas nos principais postos de liderança e poder em nosso país parecem ter consciência; e as nossas pseudonecessidades que, pela sua alta demanda (mesmo que artificialmente gerada), acabam absorvendo muitos recursos e muita energia de nossos protagonistas e líderes.

São as necessidades que estão na consciência de todos. Falamos muito sobre elas. Formalmente, em reuniões. Informalmente, entre colegas, amigos, familiares. Mas sempre superficialmente, sem nos aprofundar. Raramente chegamos aos seus aspectos mais sutis, menos óbvios. Nesta parte do artigo, a proposta é refletir sobre elas, levando em conta esses aspectos, que podem estar passando despercebidos pela maioria, inclusive, dos nossos líderes.

Necessidade de ética e confiança

“Sem ética, não é possível otimizar a economia.” Essa frase sintetiza muito bem a entrevista que fiz com Jeffrey Sachs, na época professor de economia na escola de governo de Harvard e hoje diretor do The Earth Institute da Columbia University, à frente do Projeto Hunger, em prol da erradicação da fome no mundo. Racionalmente, sabemos que a frase de Sachs faz sentido. Mas, no Brasil e em outros países, vemos economias operando muito abaixo do possível, exatamente porque estão longe de atuar, no setor público ou privado, com base na ética e na confiança. Na realidade, acontece o contrário: atua-se com base na desconfiança. Basta ver o “custo controle” no nosso país ou o custo que os controles representam em nossa própria organização. 

Compreendemos a ideia implícita na frase de Sachs porque ela ressoa em nós. Imaginamos como seria o nosso país se não houvesse corrupção e todos fossem éticos, todos confiassem em todos (inclusive em nossas instituições), ninguém tirasse vantagem de ninguém e buscássemos acordos em que as partes ganham e a sociedade também. Ou seja, buscássemos atuar em nosso dia a dia visando melhorar o todo, o bem-estar de todos, da forma mais inclusiva possível. 

Gosto da definição de ética que vem da filosofia: “a escolha pelo bem comum”. A definição é simples, mas não deixa dúvida. Se a decisão, negociação, solução não for em prol do bem comum, não é ética

........................................................................................................................................

Se desejar continuar a ler o artigo, clique aqui e será redirecionado ao texto original. Se o fizer, retome a leitura a partir do início da página 3.


quarta-feira, 8 de julho de 2026

Ah! Que inveja dos hermanos argentinos!

 

O que nos falta? A lição argentina de faca nos dentes

A histórica virada da Argentina sobre o Egito nesta Copa do Mundo não foi apenas um espetáculo de futebol; foi uma lição de caráter esportivo. Mais do que tática ou estratégia, o que se viu em campo foi aquilo que o torcedor brasileiro implorou para ver no jogo contra a Noruega: atitude, compromisso com a profissão e respeito absoluto por quem veste a camisa de seu país. Independente de técnico, de estratégias e táticas, o onze argentino foi lá e resolveu a parada na garra, com a faca nos dentes e no melhor estilo da raça portenha. Buscar um resultado com dois gols de desvantagem e 23 minutos para terminar a partida exige mais do que talento, exige uma crença inabalável na própria força, respeito por si próprio, coesão e destemor da equipe e, principalmente, o espírito de guerreiros travando sua decisiva batalha.

E no centro dessa epopeia estava Lionel Messi. Aos quase 40 anos, no limite da exaustão física, o veterano capitão não se escondeu. Enquanto o corpo cobrava o preço de uma carreira inteira, ele agigantou-se na liderança, chamou a responsabilidade para si e, no puro oxigênio da genialidade e da raça, comandou a virada. Uma vitória com a assinatura moral e o brilho de quem é, de fato, um campeão do mundo que se recusa a aceitar a derrota.

Enquanto nossos atletas, contra a Noruega, pareciam por vezes anestesiados, jogando sob a blindagem de suas desculpas táticas, os vizinhos nos mostram o óbvio: na caça ao tesouro, no topo do mundo, ganha quem tem fome. Um campeão não espera acontecer, vai à luta e resolve. O time brasileiro, definitivamente, não tinha espírito de campeão.

Após um ganho moral desse tamanho, será difícil segurar a Argentina, mesmo com potências como França, Espanha e a intensidade de Marrocos pelo caminho.

Fica o espelho para a Seleção Brasileira. O talento resolve muita coisa, mas sem o compromisso de veteranos como Messi, e demais companheiros dispostos a suar sangue pelas vitórias, dando a vida em campo até o último minuto, o futebol cobra o preço. Está na hora de o nosso time e suas estrelas pararem de dar explicações e começarem a mostrar o mesmo apetite dos argentinos.  Se vamos para um novo ciclo, vamos recomeçar a partir daí. 

O torcedor brasileiro não exige a perfeição; exige a entrega que a Argentina acabou de desenhar no gramado.


domingo, 5 de julho de 2026

Copa do Mundo: O Fim da Ilusão e a Realidade do Ciclo

 

Eliminação na Copa: Uma Surpresa Apenas para os Distraídos  

(por Herbert Drummond)

A eliminação da Seleção Brasileira costuma acionar um protocolo previsível: caça às bruxas, distribuição de culpas e a proliferação dos "engenheiros de obras prontas". A discussão, ridícula, sobre "porque o Vini não bateu o pênalti virou meme".  É um bom exemplo desse "protocolo".

Para quem analisa o futebol com frieza, o resultado passa longe de ser uma surpresa. Olhar para o placar como um "vexame isolado" é ignorar o contexto macro de todo o ciclo de 4 anos a que foi submetida a instituição "Seleção Brasileira", desde a última copa (2022-2026)    

A verdade, é que, por motivos de marketing, dinheiro das Bets e a torcida vulnerável na vontade de se apaixonar por sua seleção, a mídia em peso vendeu a promessa de um milagre de realidade insustentável. Se compararmos a seleção do Brasil com as favoritas, o desnível salta aos olhos e desde antes da era Ancelotti.

Enquanto os rivais consolidavam suas estruturas ao longo desse mesmo ciclo, nós enfrentávamos um período caótico, marcado por crises em série. A torcida, na sua paixão, preferiu esquecer e acreditar que, no fim, tudo daria certo. Não deu.

Nas simulações dos caminhos da Copa, o teto do Brasil (se tivesse avançado contra a Noruega), já se limitaria  às quartas de final (Inglaterra ou México), diante da nossa fragilidade coletiva. O entusiasmo nas vitórias contra Haiti e Escócia, mascararam as deficiências de nossa seleção. A torcida foi na onda do hexa e hoje sofre uma decepção.

No jogo de hoje, com a Noruega, o Brasil, em tempo nenhum, foi uma equipe. Na fase de grupos e da de "16 avos", evoluímos para o status de um "grupo" (clique aqui). Todavia, as seleções que marcham firmes rumo às fases finais estão degraus acima desse nível. A Noruega estava e está, claramente, acima do Brasil nessa escala. Mostrou isso no campo de jogo. Exemplos de equipes? França e Argentina.

Não comentarei coisas técnicas ou táticas do jogo. Já tem muitos "especialistas" teorizando sobre o fato consumado; por que o Brasil perdeu para a Noruega? Perdemos porque o adversário foi melhor. Simples assim.

A frustração de milhões de torcedores é legítima, mas o fanatismo não pode cegar a análise. Não podemos, na insana busca de culpados, crucificar o técnico ou qualquer outro jogador. 

O foco, agora, precisa estar no futuro. A manutenção do contrato com o técnico Ancelotti até 2030 é a garantia de continuidade para a montagem de um trabalho sólido e verdadeiro. 

É hora de aceitar a verdade para, finalmente, podermos evoluir. Vamos passar pelas fases do luto (clique aqui) e temos que cuidar para não nos afundarmos em nenhuma delas. Não se deve execrar nenhum personagem desse drama, nem o técnico, nem jogadores. 

Aqui, vale um famoso verso de Ricardo Reis (Fernando Pessoa)

"Não peçam muito a ninguém,

Ninguém tem muito pra dar"

Vou publicar, ainda esta semana, um novo artigo, dando continuidade a este, onde pretendo trazer análises sobre o novo ciclo da seleção e quais os pontos chaves que a alta direção da CBF deve cobrar e a comissão técnica de Ancelloti deverá entregar para chegarmos prontos em 2030. 


terça-feira, 30 de junho de 2026

O fenômeno Cazé TV, nos bastidores da copa. Inevitável não falar dele.

 

O Pecado de Enxergar Primeiro

Por Herbert Drummond

Tem um fantasma assombrando os bastidores desta Copa de 2026. Ele não entra em campo, não calça chuteira e não bate falta. Ele veste terno, fala com aquele tom professoral de quem é dono da verdade e está sofrendo de uma dor terrível: a dor de ter perdido o monopólio da relevância.

Antes de iniciar, quero dizer que não tenho "procuração" para falar em defesa da CazéTV e nem é esse o propósito. Meu objetivo com este post é defender o direito do torcedor — e me incluo nesse grupo — de acompanhar os jogos da Copa sem censura e se divertindo, exatamente como são as transmissões da turma do Casimiro.

Estou falando dessa campanha barulhenta e visivelmente orquestrada que resolveram levantar contra a CazéTV. De repente, os barões da mídia tradicional (notadamente a esportiva) viraram paladinos da moralidade e descobriram uma súbita preocupação social com os anúncios de apostas esportivas no streaming, as chamadas bets. Apontam o dedo para a internet como se a tela da TV aberta e os intervalos do horário nobre não estivessem igualmente entupidos, dia e noite, pelo mesmíssimo dinheiro dessas plataformas.

Vamos deixar o verniz de lado? Não se trata de uma cruzada em defesa do cidadão ou contra os malefícios que o vício em jogos traz; é o clássico linchamento do pioneiro, a mera negação do novo. É inveja comercial pura e simples, briga por dinheiro. O "crime" da CazéTV não foi colocar patrocinador na tela; foi ter a audácia de quebrar a banca e mudar a fórmula do espetáculo.

O mercado tradicional cometeu o erro fatal de ignorar a história. O mundo dos negócios está cheio de cadáveres corporativos de gigantes que achavam que eram eternos. Vejamos, para ilustrar o argumento, alguns exemplos clássicos: a Kodak jurou que as câmeras digitais eram um brinquedo passageiro; a Nokia olhou para o primeiro smartphone e não levou a sério; a Enciclopédia Britannica achou que a internet jamais substituiria seus pesados volumes na estante; e as cooperativas de táxi riram do primeiro protótipo do Uber. O final dessa história a gente já conhece.

A mídia tradicional é a nova Kodak do futebol. Tiveram o mesmo tempo, as mesmas pistas de que o público telespectador queria outra coisa — queria diferença, novidades. Preferiram sentar na própria arrogância e agora tentam recuperar espaço detonando quem apostou nos novos tempos.

Vivi, como profissional, os bastidores da mídia esportiva entre 1963 e 1971 e continuei acompanhando este universo de perto. Posso atestar: o que mudou de lá para cá foi apenas a tecnologia de transmissão — o satélite, o cabo, o HD. Mas a alma, os métodos e os jargões da TV clássica e do rádio continuaram exatamente os mesmos, presos num purismo estéril de estúdio plastificado.

O público simplesmente cansou desse engessamento, e já faz tempo. Ninguém quer mais ser um mero joguete em duelos repetitivos de audiência, um número frio de IBOPE, obrigado a ouvir analistas que usam suas pranchetas para ditar regras e teorizar sobre esquemas e estratégias pouco inteligentes e quase ininteligíveis.

A grande mídia tenta rotular quem migrou para o streaming como uma massa de "jovens alienados". Erro crasso. Esse grupo crescente só quer resgatar o prazer da transmissão viva, divertida e moderna na sua essência. No fundo, são os legítimos herdeiros do radinho de pilha que ressurgem.

Toda aquela resenha, a piada interna, a corneta e a cumplicidade que a turma do Casimiro entrega hoje no YouTube é a evolução direta da atmosfera que grandes narradores do rádio, como Oduvaldo Cozzi, Fiori Gigliotti, Valdir Amaral, Jorge Cury, José Carlos Araújo e, mais recentemente, Osmar Santos, criavam antigamente. 

O rádio falava ao pé do ouvido do torcedor, era visceral, humano e vivo. A TV engessou o futebol com transmissões frias, assépticas e "bem-educadas". Quis imitar o rádio, mas nunca conseguiu. A CazéTV trouxe de volta a conversa de bar, incluindo alguns palavrões inofensivos que fazem parte do verdadeiro clima dos estádios.

Podem continuar chiando e inflando discursos moralistas de conveniência. Os herdeiros do radinho de pilha já decidiram onde estão a emoção e a autenticidade. O caminho de volta para a caverna do formato antigo não existe. A grande parcela que realmente ama a emoção do futebol quer estar com o Cazé, com a turma dele e com o futebol de verdade.

Que venham (e virão...) mais Cazés no universo das transmissões esportivas, é isso que o público quer. A questão das Bets, é outro assunto.

Este artigo contou com o suporte da Inteligência Artificial (Gemini) na estruturação e revisão textual, mantendo a essência e as memórias do autor.

segunda-feira, 29 de junho de 2026

O Efeito Ancelotti: Como a Liderança de Vestiário Mudou o Jogo no 2º Tempo

 



No intervalo, frustração a caminho do vestiário.

Quem assistia ao primeiro tempo da seleção viu um roteiro que se tornou comum no futebol moderno: um time talentoso, mas engessado, batendo de frente contra uma marcação forte e sofrendo com o peso da pressão. O clima que se desenhava para o intervalo era de frustração. Ficava claro que o plano inicial não tinha funcionado e que o time precisava de um rumo.

Mas o futebol, assim como o ambiente corporativo, não é feito apenas de planejamento inicial. É, acima de tudo, sobre a capacidade de recalibrar a rota sob pressão. E foi exatamente nos 15 minutos de intervalo que o jogo começou a ser ganho.

A Autoridade Silenciosa no Vestiário

Em momentos de crise, a reação natural de muitos líderes é elevar o tom de voz, ditar regras com urgência ou transferir a tensão para a equipe. Com Carlo Ancelotti, o processo é o oposto. O vestiário da seleção não encontrou desespero; encontrou a famosa "calmaria cirúrgica" de um técnico que já viu de tudo no futebol.

A liderança inconteste de Ancelotti não se impõe pelo grito, mas pela autoridade de seu histórico e pela clareza de suas ideias. Quando ele fala, o elenco não apenas escuta — ele compra a ideia. Há uma confiança cega dos jogadores no seu comandante. Essa segurança psicológica foi o primeiro e mais importante elemento restabelecido no intervalo: antes de mudar a tática, foi preciso desarmar o nervosismo e devolver a estabilidade ao grupo.

O Tabuleiro do Segundo Tempo: Da Estratégia à Execução

Com os ânimos alinhados, veio a leitura de jogo. O que se viu, claramente, foi o "dedo do "Ancelotti:

1) Mexeu onde doía no adversário, sua fragilidade nas bolas paradas, nos cruzamentos sobre a grande área. 

2) Ajustou o posicionamento dos pontas para alargar o campo, 

3) Compactou as linhas de marcação,

4) Promoveu aquela substituição cirúrgica, de Paquetá (machucado) por Martinelli, o que redesenhou o meio-campo.

A execução foi imediata e precisa.

5) A "cereja do bolo" no vestiário: não substituiu o Casemiro, que cá para nós estava "enterrando" o time no 1º tempo. Todos nós, incluo-me, pedimos a sua saída. Mas não aconteceria com um líder como Ancelotti. 

Casemiro é seu "homem de confiança", todos sabem. Deve tê-lo chamado  e falado baixinho, no seu ouvido, levantando sua autoestima e chamando-o aos brios. Mais do que todos, ele conhece o atleta e sabe o seu valor. E o que vimos foi um novo Casemiro no 2º tempo. Até achou o caminho para o esperado gol de empate.

O que vimos no segundo tempo foi uma metamorfose. A seleção voltou com outra postura: mais agressiva, mais consciente e, fundamentalmente, mais organizada. O gol de Martinelli, coroou o esforço de todos. Valeu!

A estratégia desenhada no vestiário transformou-se em domínio (quase) absoluto dentro das quatro linhas. O time jogou com a certeza de quem sabia exatamente o que estava fazendo e, mais importante, por quem estava fazendo.

A Grande Lição de Gestão

O desfecho da partida nos deixa uma lição clara que ultrapassa as quatro linhas: grandes líderes não se desesperam na crise. Eles acalmam o ambiente, reorganizam as peças com precisão e dão a direção exata de que a equipe precisa para virar o jogo.

A vitória no segundo tempo não foi um mero acaso físico ou técnico. Foi o resultado prático de uma liderança de vestiário que sabe a hora de acolher, a hora de cobrar e a forma exata de extrair o potencial máximo de um elenco que joga por ele. É o peso do fator humano mudando os rumos da história.

👉Autor: Herbert Drummond (com ajuda parceira da IA do Gemini)