||| 16 de outubro DE 2026 ||| 6ª FEIRA ||| dia da coluna vertebral || # Reflexão: "Não espere por uma crise para descobrir o que é importante em sua vida". -- Platão . |||

 

Bem vindo

Bem vindo

O Dia Mundial da Coluna celebra-se a 16 de outubro. Neste dia realizam-se atividades com o objetivo de prevenir lesões na coluna vertebral. Estima-se que mais de 70% da população portuguesa já sofreu ou sofre com dores na coluna vertebral. As doenças da coluna representam mais de 50 por cento das causas de incapacidade física em idade laboral e são uma das principais causas de ausência no trabalho. Segundo a OMS, 1 em 4 adultos e mais de 80% dos adolescentes não são ativos o suficiente. Dores nas costas Além de limitar bastante os movimentos, a dor nas costas pode ser uma dor incapacitante. Hábitos de vida como o sedentarismo, a obesidade, a falta de exercício físico têm bastante influência no agravamento das dores nas costas. O que fazer para atenuar as dores costas? Ter uma postura corporal correta ao longo do dia, seja a dormir, a comer, a andar, no computador, a subir escadas, etc. Praticar exercício físico regularmente. Receber massagens. Dobrar pernas ao levantar pesos do chão. Espreguiçar a coluna. Doenças da coluna Algumas das principais doenças da coluna são a escoliose, a hérnia discal, a doença discal degenerativa, a espondilartrose entre outras. As lesões da coluna devido a traumatismo são comuns, principalmente as que resultam de de acidentes de trânsito e quedas de altura. A coluna pode também ser afetada por tumores benignos ou malignos, necessitando de intervenção cirúrgica.

pensamento dia

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Frase

Frase
Abraham Lincoln (pronúncia em inglês: (Hodgenville, 12 de fevereiro de 1809 — Washington, D.C., 15 de abril de 1865) foi um político norte-americano que serviu como o 16° presidente dos Estados Unidos, posto que ocupou de 4 de março de 1861 até seu assassinato, em 15 de abril de 1865. Lincoln liderou o país de forma bem-sucedida durante sua maior crise interna, a Guerra Civil Americana, preservando a integridade territorial do país, abolindo a escravidão e fortalecendo o governo nacional. {https://pt.wikipedia.org/wiki/Abraham_Lincoln}

 

sexta-feira, 16 de outubro de 2026

A emoção e a responsabilidade de votar




Abro este comentário na série, sob o selo “Eleições”, com um vídeo curto da apresentadora Sandra Annenberg, publicado no YouTube. Identifiquei-me com o sentimento que ela expressa diante do ato de votar. Seu depoimento me levou a olhar esse momento com mais atenção.

A rotina de um dia de votação pode nos fazer esquecer o significado do que estamos fazendo. Chega o dia, saímos de casa, vamos à seção eleitoral, cumprimos os procedimentos e entramos na cabine. Alguns minutos depois, está feito. Voltamos aos nossos compromissos e, mais tarde, acompanhamos a apuração.

Para alguns, é uma obrigação cumprida. Para outros, um momento de emoções: esperança ou desilusão, preocupação ou tranquilidade, entusiasmo ou desânimo. Contudo, aquela breve passagem pela cabine merece mais do que a pressa de encerrar uma tarefa.

É ali, a sós na cabine, que cada um de nós participa da escolha de quem receberá poder para tomar decisões que alcançarão milhões de brasileiros, inclusive nós mesmos. Decisões cujos efeitos poderão permanecer muito além de uma campanha ou de um mandato.

“Sempre que eu voto, fico muito emocionada”, diz Sandra Annenberg. Ao recordar sua primeira eleição e destacar a igualdade no peso dos votos, ela nos convida a perceber o significado daquele instante na cabine.

Essa igualdade merece uma pausa: pessoas com vidas, rendas, escolaridades e posições sociais muito diferentes têm, na urna, o mesmo peso na escolha. Nenhum cargo, fortuna ou prestígio faz um voto valer mais que outro.

Talvez seja essa a emoção que a rotina às vezes encobre. Por alguns minutos, estamos diante de uma escolha individual que se somará às de milhões de brasileiros. O gesto é simples; a responsabilidade que ele carrega é enorme.

Foi essa dimensão do voto que o vídeo me fez recordar.

Às vésperas de uma nova votação, considero oportuno fazer essa pausa. Não vou dizer a quem lê estas linhas que deve votar assim ou assado. Defendo, sim, que a escolha seja feita com consciência, pensada com calma e, tanto quanto possível, livre das pressões e dos exageros das campanhas.

Isso exige algum trabalho: examinar propostas, observar trajetórias, avaliar preparo e distinguir promessas de possibilidades reais. Exige também disposição para questionar informações que parecem convincentes apenas porque confirmam aquilo em que já acreditamos. É uma pedreira, reconheço, sobretudo quando precisamos colocar nossas próprias certezas à prova.

Não precisamos abandonar nossos sentimentos para votar. Precisamos evitar que eles decidam tudo sozinhos. A simpatia por um candidato não dispensa a avaliação de sua capacidade; a rejeição a outro não garante a qualidade da alternativa.

Também não podemos exigir de nós mesmos a certeza de que jamais nos arrependeremos. Nenhum eleitor controla o futuro ou a conduta de quem elege. Podemos, porém, buscar informações confiáveis para conhecer melhor aqueles a quem pretendemos entregar essa responsabilidade.

Podemos chegar à cabine sabendo que procuramos compreender as opções disponíveis e fizemos uma escolha ponderada. Seria pedir demais a cada um de nós? Pela dimensão que representa o voto, não creio.

Que o voto expresse aquilo que consideramos melhor para nós e nossas famílias, mas que nosso olhar alcance também quem vive em condições diferentes das nossas. Afinal, o país que ajudamos a construir será compartilhado com todos.

E que, depois da eleição, continuemos atentos. A responsabilidade do cidadão permanece: acompanhar, cobrar e reconhecer os acertos e os erros de quem recebeu o nosso voto, além de reavaliar nossas próprias escolhas.

Afinal, a consciência que levamos à cabine precisa voltar para casa conosco.

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Como Votar? Tire todas as suas dúvidas - Justiça Eleitoral

 
O link abaixo é da Justiça Eleitoral. Trata-se de uma série de dezenove vídeos curtos, com menos de 60 segundos, cada um, com esclarecimentos oficiais para tirar dúvidas sobre como votar, no dia da eleição. É uma playlist, ou seja, se clicar no primeiro, os seguintes vão se sucedendo automaticamente.

Resolvi trazê-los, como parte dessa série aqui no blog, visto que o noticiário após o primeiro turno deu conta de muitos eleitores que deixaram de votar, erraram endereços das suas seções e até mesmo erraram no ato de votar, por falta de melhores informações. Os vídeos têm títulos como: 

  • Pode celular dentro da cabine? 
  • Posso votar sem biometria? 
  • Como saber o meu local de votação? 
  • Preciso levar o título eleitoral para votar? 
  • Quem tem preferência na fila para votar? 
  • Posso ter ajuda de outra pessoa na hora de votar? 
  • Posso usar camiseta de campanha na hora de votar? 
  • Campanha no dia da eleição pode? 
  • Pode entrar com o celular na cabine de votar? 
  • Posso votar sem biometria?
  • Outros

Clique aqui para iniciar




Clique aqui e visite o site original da Justiça Eleitoral

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Pesquisa DataFolha de 15/10, comentada

 


Consegui assistir ao primeiro momento da pesquisa DataFolha de hoje, dia 15/10, às 18h45, e registrar o vídeo com os comentaristas da Folha, Mônica Bérgamo, Fábio Zanini e Luciana Chong. 

Não vou me alongar para não perder tempo. As mídias (todas) já estão com a pesquisa em seus sites, mas esses comentários são aqueles que surgem na fonte (Folha de São Paulo) e achei interessante trazê-los "ao vivo" para os leitores do blog, nessa nova série "Eleições".

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Por que decidi falar sobre eleições


Vou iniciar uma série de artigos sobre eleições na Oficina de Gerência. É uma decisão que amadureci depois de muito refletir e que modifica uma orientação estabelecida por mim: manter o blog à distância dos debates políticos, sobretudo dos embates partidários.

Ao longo destes dezenove anos, de 2007 a 2026, preferi compartilhar experiências, cultura, valores e reflexões sobre a arte de conduzir a vida. Agora, como cidadão comum, vejo riscos para o futuro do Brasil que, em consciência, considero necessário abordar. Não quero me omitir.

Inquieta-me perceber como as paixões de uma eleição podem conduzir multidões e comprometer escolhas cujas consequências atravessam gerações. É uma preocupação que pretendo desenvolver nos próximos artigos desta série, expondo os fatos e os argumentos que sustentam minha posição.

Recordo aqui a conhecida reflexão do pastor luterano alemão Martin Niemöller sobre o silêncio diante da perseguição nazista. É em sua advertência sobre a omissão que encontro a motivação para a responsabilidade de me manifestar.

Minha visão pode ser contestada; ainda assim, meus 80 anos de vida, vivência e experiência me levam a considerar que devo participar desse debate com os recursos de que disponho. Essa experiência ajuda a formar meu julgamento; não me torna imune ao erro.

Durante a série, não pretendo transformar a Oficina em um espaço de campanha nem dizer ao leitor em quem deve votar. Mas deixarei clara minha posição e apresentarei as razões que orientam a escolha que farei nas urnas, no dia 25 de outubro.

Tomo essa decisão por responsabilidade com minha terra, minha família, minha crença e os valores que orientam minha caminhada neste plano. Quero contribuir para o futuro que desejo legar aos meus filhos e netos, sem perder de vista que esse futuro será compartilhado com toda a sociedade brasileira. Considero essa participação a coisa certa a fazer.

Não reivindico o monopólio da razão. Respeito quem discorda e pretendo que a Oficina de Gerência continue sendo um espaço onde posições diferentes possam conviver e ser discutidas com argumentos. A firmeza de uma convicção não dispensa a disposição para ouvir, reconsiderar e corrigir.

Os artigos estarão sempre identificados pelo selo “Eleições — Opinião do editor”(apresentado na abertura do post). Assumirei a responsabilidade pelo que escrever, com o compromisso de conferir os fatos, indicar fontes e distinguir informação de opinião.

Sei que essa decisão poderá provocar discordâncias. Espero enfrentá-las com o mesmo respeito que peço aos leitores. Nesta quadra da minha vida, considero importante usar este espaço para dizer o que penso e explicar por quê.

É por isso que decidi falar sobre eleições.

Herbert Drummond

sábado, 3 de outubro de 2026

As urnas encerram a eleição. Quem encerra a crise?


 O poder posto à prova

Ao longo de seus 19 anos, de 2007 a 2026, a Oficina de Gerência tem preservado uma linha editorial que evita a política partidária e procura tratar temas controversos com espaço para reflexão e diálogo.

Entendo a Oficina como um lugar de reflexão sobre a arte de conduzir — o trabalho, as relações e a própria vida. A gerência é sua porta de entrada, mas seu olhar alcança muito além dela: experiência, cultura e reflexão para conduzir melhor a vida.

Por que faço essa apresentação? Porque este comentário poderá provocar reações de um lado, do outro ou de ambos. Entretanto, sinto-me no dever de não me omitir diante das falhas na condução da vida pública que, a meu ver, vêm marcando este processo eleitoral e repercutindo em todas as camadas da sociedade.

Escrevo como cidadão que procura compreender o exercício da autoridade e suas consequências. Fiz minha escolha, vou publicar:  

Quando a autoridade perde o rumo

Acompanhar a vida pública tem exigido resistência ao espanto. Minha inquietação cresce quando o debate sobre propostas cede espaço aos confrontos pessoais e às disputas entre autoridades. Decisões e resoluções passam a ser recebidas como ataques, vitórias ou retaliações. A pergunta sobre quem venceu sufoca outra: o que isso representa para o país?

Na minha experiência de gestão, aprendi que ocupar um cargo não assegura capacidade de liderança. Liderar exige discernimento, responsabilidade e disposição para aceitar limites, corrigir erros e responder pelas próprias escolhas.

Se cada recuo é humilhação e cada crítica é afronta, a instituição corre o risco de ficar subordinada ao orgulho de quem a representa.

A política mobiliza esperança, medo e indignação. O problema começa quando essas emoções determinam quais regras merecem respeito. Aceitamos dos aliados aquilo que condenamos nos adversários? Defendemos a autonomia institucional somente quando suas decisões nos favorecem?

Nesse uso conveniente dos princípios, reconheço o vale-tudo. Autoridades têm deveres que ultrapassam preferências e ressentimentos. Quando empregam o poder para alimentar disputas, desgastam também as instituições pelas quais deveriam responder.

A democracia exige respeito às regras, fiscalização do poder, possibilidade de alternância e reconhecimento da legitimidade dos adversários. Esses compromissos são postos à prova justamente quando nos contrariam.

A polarização exacerbada leva esse conflito para dentro de casa e dos círculos de amizade. Quando a discordância política se transforma em hostilidade e ódio, familiares se afastam, amizades se rompem e conversar passa a significar confrontar. Podemos sustentar convicções firmes sem reduzir uma pessoa ao voto que ela declara. Preservar essa capacidade de convivência também é uma responsabilidade democrática.

A informação como campo de batalha

O cidadão tenta compreender os acontecimentos em meio à competição por sua atenção e adesão. Essa disputa atravessa grandes veículos, mídias progressistas ou conservadoras, influenciadores e campanhas. Nenhuma dessas identidades assegura compromisso com a verdade.

A desinformação inclui mentiras, mas também omissões decisivas, imagens fora de contexto e manchetes que sugerem conclusões não sustentadas pela reportagem.

Quando um veículo exalta determinada conduta e condena outra semelhante conforme seu protagonista, precisa explicar a diferença de critérios. Sem isso, compromete sua credibilidade.

Campanhas que exploram falsidades, acontecimentos fabricados, medos e convicções religiosas merecem a mesma fiscalização. A fé participa legitimamente da vida pública; sua exploração para tornar um candidato imune à crítica precisa ser questionada.

Essa vulnerabilidade não se limita à falta de instrução. Pessoas escolarizadas também acreditam em versões convenientes. Todos precisamos verificar aquilo que confirma nossas preferências.

Um pacto necessário — mas conduzido por quem?


As urnas produzirão um resultado. Não resolverão automaticamente os conflitos, as dúvidas sobre condutas públicas ou o desgaste da confiança.

Considero necessário um debate nacional sobre esta experiência eleitoral: um esforço de concertação que estabeleça compromissos sobre limites da autoridade, transparência e responsabilidade na comunicação.

Mas conheço a facilidade de propor soluções ideais e inviáveis. Quem convocará esse pacto? Quem aceitará ceder? Como acompanhar seu cumprimento?

Seriam necessárias lideranças públicas e privadas e organizações de alcance nacional capazes de reunir pessoas que discordam profundamente. Tenho dificuldade em identificar lideranças com credibilidade entre campos diferentes para essa tarefa.

Um começo verificável seria cobrar compromissos específicos: corrigir informações falsas, explicar decisões, prestar contas e aplicar aos aliados os critérios exigidos dos adversários.

Procuro transformar minha indignação em reflexão sobre os graves sinais de má administração, má gestão e má gerência na vida pública. Essa discussão precisa alcançar também nossas próprias convicções.

As urnas encerrarão a eleição. Superar a crise exigirá lideranças que demonstrem, em falas, atos, capacidade de exercer autoridade com responsabilidade e de governar, com inteligência emocional, um país dividido.

Este artigo contou com apoio do ChatGPT na elaboração e revisão do texto e na criação das ilustrações.

domingo, 27 de setembro de 2026

Entre o fascínio e a confiança: até onde entregar nossa vida à IA?

 

Imagem criada com apoio do Nano Banana (ChatGPT)


A cada grande invenção impactante, a humanidade repete um ritual: primeiro se espanta, depois imagina os perigos e, aos poucos, aprende a conviver com a novidade. Não foi diferente com o avião de Santos Dumont; mais recentemente, vimos algo semelhante com os drones. Os russos já criaram os drones a jato!

A inteligência artificial, porém, nos coloca diante de uma pergunta particularmente íntima: 

  • Até onde estamos dispostos a entregar a uma tecnologia a condução de tarefas da nossa própria vida?

A reportagem (New York Times/Folha de São Paulo) que compartilho a seguir oferece um retrato intrigante dessa pergunta. Durante duas semanas, o jornalista Eli Tan experimentou um agente de IA da Meta capaz de fazer ligações, organizar informações e tomar providências a seu pedido. O resultado o impressionou. Mas, para obter tamanha ajuda, precisou abrir ao agente as portas de seu e-mail, de suas contas e de parte de sua rotina. 

Leio essa experiência sem vontade de anunciar uma catástrofe nem de aplaudir a novidade de olhos fechados. Sinto curiosidade, fascínio e orgulho do que a inteligência humana consegue criar; sinto também o peso das perguntas que vêm com essa criação. Talvez este seja o verdadeiro desafio do nosso tempo: aprender a usar instrumentos cada vez mais poderosos e surpreendentes sem abrir mão do nosso discernimento sobre o que podemos confiar a eles?

O futuro da IA ainda guarda mistérios, mas não precisamos esperar por todas as respostas para começar a fazer boas perguntas. Que tarefas queremos confiar a esses agentes? Que informações estamos dispostos a compartilhar? E, sobretudo, como garantir que a decisão final continue sendo nossa? É com esse espírito — aberto às possibilidades e atento às consequências — que convido você a ler a experiência relatada a seguir.

O vídeo abaixo está integrado à matéria, na Folha. É uma entrevista interessantíssima, com o colunista da FSP, Ronaldo Lemos, especialista em IA.  É longa — 53:23 — mas vale a pena. Um aprendizado.


Como é que é? | Quais são os limites para o uso da inteligência artificial?



São Francisco (Califórnia)|The New York TimesNa semana passada, atendi a uma ligação de um número desconhecido. "Consegui falar com a Anthem Dental e estou prestes a transferir a ligação para você", anunciou uma voz.

A chamada vinha de um "agente" de inteligência artificial criado pela Meta, dona do Facebook e do Instagram. Dez minutos antes, o agente de IA havia ligado para a minha operadora de plano odontológico, informado meu número de beneficiário, respondido a uma pergunta de segurança e aguardado na linha antes de me transferir para o atendente — exatamente como eu havia pedido.

Fiquei surpreso com o quanto o agente havia facilitado a interação com a seguradora. Essa foi uma das muitas tarefas que realizei com o Muse, o aplicativo de agente de IA que a Meta apresentou neste mês.

Mão robótica metálica pressiona tecla de símbolo '&' em teclado preto. Ao fundo, logo azul e preto da plataforma Muse em fundo branco.
Ilustração que mostra o logotipo da Meta Muse, um teclado e uma mão robótica - Dado Ruvic - 23.set.2026/Reuters

O Muse é o primeiro agente de IA voltado ao consumidor, desenvolvido por uma grande empresa de tecnologia, a se tornar disponível ao público. O setor de tecnologia vê os agentes como a próxima fronteira, muito mais capazes do que os chatbots. Eles podem navegar pela internet, entrar em sites, preencher planilhas e fazer ligações em nome das pessoas — e isso é apenas o começo...

Clique neste ponto  e continue a leitura na FSP, se for assinante. Caso não o seja, pode acionar esse link e lerá a mesma matéria, no Infomoney  É um texto longo, mas, para quem tenha interesse em conhecer o mundo das IAs, vale o esforço.


sábado, 26 de setembro de 2026

“Conselhos de Polônio a Laertes": uma despedida que continua a nos ensinar. (Hamlet)

 

Conselhos de Polônio a Laertes: uma despedida que continua a nos ensinar

Quando conheci Hamlet, uma passagem breve me conquistou de imediato. Não era uma das grandes cenas pelas quais a tragédia é lembrada. Era uma despedida: Laertes se preparava para voltar à França, Ofélia conversava com o irmão e o pai dos dois, Polônio, entrava para apressar a partida.

O navio esperava. Talvez por isso Polônio tenha dito tanto em tão pouco tempo. Em vez de um longo discurso de despedida, entregou ao filho uma pequena bagagem de conselhos sobre amizade, prudência, conflitos, dinheiro e integridade.

Voltei a essa cena dezenas de vezes. Levei-a também para fora do livro: conversei sobre ela com meus filhos, com amigos e com pessoas com quem trabalhei. Reconheço em Polônio um desejo que muitos pais conhecem bem: oferecer ao filho alguma orientação para os momentos em que ele terá de decidir sozinho — quando sair para a vida e tiver de enfrentá-la longe de nossos olhos.

Há algum tempo, compartilhei mais de uma vez essa passagem aqui na Oficina de Gerência. Ela continua encontrando leitores, e eu continuo encontrando nela motivos para pensar. Resolvi revisitá-la em reconhecimento ao interesse constante dos leitores do blog.

Desta vez, depois da cena, quero conversar pela primeira vez no post sobre o que esses conselhos podem significar em nossos dias.

Antes do texto, deixo o vídeo da cena. O áudio está em inglês, mas ajuda a perceber o ritmo e a urgência daquela despedida. Em seguida, vem a tradução de Millôr Fernandes, cuja vivacidade é parte do encanto desta leitura.

Polônio aconselha Laertes

Trecho de Hamlet, ato I, cena 3, de William Shakespeare, na tradução do grande Millôr Fernandes.

LAERTES: Não se preocupe comigo.
Mas já me demorei muito. E aí vem meu pai. (Entra Polônio.)
Uma dupla bênção é uma dupla graça.
Feliz por despedir-me duas vezes.

POLÔNIO: Ainda aqui, Laertes! Já devia estar no navio, que diabo!
O vento já sopra na proa de teu barco;
Só esperam por ti. Vai, com a minha bênção, vai!
(Põe a mão na cabeça de Laertes.)
E trata de guardar estes poucos preceitos:

Não dá voz ao que pensares, nem transforma em ação um pensamento tolo.

Sejas amistoso, sim, jamais vulgar.

Os amigos que tenhas, já postos à prova, prende-os na tua alma com grampos de aço;

Mas não caleja a mão festejando qualquer galinho implume mal saído do ovo.

Procura não entrar em nenhuma briga; mas, entrando, encurrala o medo no inimigo.

Presta o ouvido a muitos, tua voz a poucos.

Acolhe a opinião de todos – mas você decide.

Usa roupas tão caras quanto tua bolsa permitir, mas nada de extravagâncias – ricas, mas não pomposas.

O hábito revela o homem, e, na França, as pessoas de poder ou posição se mostram distintas e generosas pelas roupas que vestem.

Não empreste nem peça emprestado: quem empresta perde o amigo e o dinheiro; quem pede emprestado já perdeu o controle de sua economia.

E, sobretudo, isto: sê fiel a ti mesmo.

Jamais serás falso pra ninguém.

Adeus. Que minha bênção faça estes conselhos frutificarem em ti.

LAERTES: Com toda a humildade, eu me despeço, pai.

POLÔNIO: Vai – que o tempo foge. Teus criados esperam.

Os conselhos de Polônio, lidos hoje

Polônio começa recomendando uma pausa entre o pensamento, a palavra e a ação. É um conselho simples, mas exigente. Quantas vezes uma frase dita no calor do momento cria um problema que poderia ter sido evitado? Hoje, essa pausa é ainda mais necessária: uma mensagem enviada em segundos pode chegar a muita gente e permanecer circulando muito depois que a irritação passou. Prudência, contudo, não é calar por conveniência. É pensar bem para falar com clareza quando a palavra for necessária.

Em seguida, ele aconselha o filho a ser amistoso sem perder a medida. Gosto dessa distinção. Podemos acolher as pessoas, cultivar a conversa e demonstrar afeto sem transformar toda aproximação em intimidade. Na vida pessoal e no trabalho, os limites bem compreendidos ajudam a preservar as relações. É uma habilidade reservada a poucos.

É nesse espírito que leio os conselhos sobre amizade. Polônio pede a Laertes que guarde junto de si os amigos que já passaram pela prova do tempo, mas que não trate cada novo conhecido como um amigo íntimo. Ele não condena as amizades novas; lembra que confiança se constrói. Quem administrou equipes sabe como isso é verdadeiro: contatos podem surgir depressa, mas é na convivência, sobretudo nas horas difíceis, que conhecemos o valor de uma relação.

Quando fala das brigas, Polônio começa pelo que considero essencial: não procurá-las. O conselho vale hoje para a família, para as redes sociais e para o mundo corporativo. Nem toda provocação merece resposta. Mas há situações em que recuar significa abandonar um princípio ou deixar alguém desprotegido. Nesses casos, enfrentar o conflito com firmeza é diferente de cultivá-lo. Talvez seja essa a leitura que eu faria hoje, sem tomar ao pé da letra a linguagem combativa do pai de Laertes.

Depois vem uma lição que sempre me interessou como gestor: ouvir muito, falar com critério e decidir por conta própria. Escutar não é transferir a responsabilidade da decisão. É reunir perspectivas que talvez não tivéssemos considerado. Um dirigente que só ouve a própria voz perde informações; um dirigente que nunca decide deixa os outros sem rumo. Entre esses extremos, há o trabalho difícil da boa gerência.

Os conselhos sobre a roupa pertencem visivelmente a outro tempo. Na sociedade retratada por Shakespeare, a aparência sinalizava posição e reconhecimento. Ainda hoje, a forma como nos apresentamos comunica algo, e convém respeitar as circunstâncias e as pessoas com quem convivemos. Mas eu não confundiria boa apresentação com valor pessoal. A roupa pode abrir uma primeira conversa; são as atitudes que sustentam a impressão que deixamos.

A recomendação sobre empréstimos também pede cuidado. Dinheiro pode complicar uma amizade, e ninguém deveria assumir compromissos sem pensar em como irá cumpri-los. Ao mesmo tempo, transformar o conselho numa proibição absoluta apagaria a generosidade que tantas relações exigem. Para mim, sua força está no alerta: quando dinheiro e afeto se encontram, clareza e responsabilidade tornam-se ainda mais importantes.

Polônio reserva para o fim a orientação que mais me acompanha: ser fiel a si mesmo. Não entendo isso como fazer sempre o que se quer, nem como recusar opiniões diferentes. Ser fiel a si mesmo exige conhecer os próprios valores, examiná-los e ter coragem de não abandoná-los por medo, interesse ou desejo de aprovação. No trabalho, essa fidelidade pode custar uma vantagem imediata. Na vida, pode exigir uma conversa difícil. Ainda assim, é ela que nos permite olhar para as próprias escolhas sem precisar inventar desculpas.

Há uma beleza especial em ouvir essas palavras dentro de Hamlet. Polônio está longe de ser um personagem infalível, e Shakespeare não nos obriga a concordar com tudo o que ele diz. Talvez por isso a cena continue viva: ela nos convida a pensar, não apenas a obedecer.


O pai dá sua bênção. Laertes parte. O tempo, como Polônio percebe, não espera. Nenhum pai consegue acompanhar um filho por todos os caminhos, nem decidir por ele quando chegar a hora. Pode, porém, oferecer-lhe palavras amadurecidas pela experiência. Depois, resta confiar que o filho saberá fazer delas algo seu.

Nota de edição: Este artigo foi revisto e ampliado com apoio do ChatGPT. As ilustrações foram criadas com o Nano Banana.


Se esta breve cena despertou sua curiosidade, recomendo a leitura de Hamlet por inteiro, em outra tradução. A peça reserva muitas outras passagens capazes de nos acompanhar por anos (clique aqui). Mantive também os comentários recebidos nas publicações anteriores deste post; vale a pena conhecê-los. E, se desejar, deixe sua própria leitura dos conselhos de Polônio nos comentários abaixo. 

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Pedrinho conduz o Vasco a um dia histórico: a esperança volta a São Januário

 

25 de setembro: o Vasco volta a olhar para o futuro

Há mais de vinte anos, a torcida do Vasco espera por dias em que possa falar do futuro sem que a esperança pareça um ato de teimosia. Hoje, 25 de setembro de 2026, é um desses dias: a empresa de Marcos Lamacchia venceu o leilão da SAF vascaína, dando um passo decisivo para assumir o futebol do clube.

A notícia pertence, antes de tudo, à torcida. Ela atravessou rebaixamentos, dívidas e promessas frustradas sem abandonar a Cruz de Malta. Esteve em São Januário e, longe dele, sofreu, cobrou, voltou no jogo seguinte. A fidelidade vascaína resistiu até quando parecia não haver mais razões para acreditar.

Também é dia de reconhecer Pedrinho e sua diretoria. Ex-ídolo dentro de campo, ele assumiu a presidência diante das consequências da desastrosa venda da SAF à 777. Segurou o touro na unha, enfrentou uma crise capaz de comprometer o futuro do Vasco e conduziu a busca de uma saída. Sua liderança e seu trabalho de gestão merecem ser lembrados na história do clube — e, um dia, contados em livro.

Ainda há etapas a cumprir antes da conclusão da venda. Serão só formalidades, será o apito final. Mas hoje podemos celebrar o que já aconteceu e era o principal. Após tanta espera, o Vasco deu um passo enorme para voltar a ser dono de seus sonhos.

Aos que nunca soltaram a Cruz de Malta: este dia é nosso.




segunda-feira, 21 de setembro de 2026

“Alma Penada” no mundo corporativo

 


A Síndrome da Alma Penada

Autor: Herbert Drummond

Você já leu uma entrevista ou ouviu uma declaração de alguém que deixou recentemente um cargo importante, mas continua falando da antiga organização como se ainda estivesse lá? Critica decisões, sugere providências, comenta os bastidores e, não raro, tenta orientar quem ficou.

Chamo esse comportamento de "Síndrome da Alma Penada". A expressão é uma metáfora de minha autoria, não um diagnóstico clínico. Ela descreve a situação de quem deixa uma função de comando, mas não consegue se desligar das lembranças, das pessoas, dos rituais e, sobretudo, da identidade que construiu naquele ambiente. 

A imagem vem da antiga ideia da alma que, inconformada com a morte, continua vagando entre os vivos. No mundo corporativo, a pessoa já não pertence à organização, mas ainda não aceitou inteiramente a separação. Permanece entre dois mundos: perdeu o papel anterior e ainda não construiu um novo. Por isso, ronda antigos corredores, procura ex-assessores, acompanha decisões que já não lhe cabem e oferece conselhos que ninguém pediu. Em resumo, "morreu", mas não percebe e volta para "assombrar" os vivos.

Pode parecer caricatura, mas esse comportamento é mais comum do que imaginamos. E sei disso não apenas por observação: eu mesmo já fui uma “alma penada”.

Há muitos anos, fui exonerado, pela primeira vez na carreira, de uma função elevada. Choque! Custei a aceitar a nova realidade. Passei a procurar antigos assessores, sugerir encontros e almoços, comentar as novidades que me chegavam e até indicar como determinados problemas deveriam ser tratados. Voltei algumas vezes ao local de trabalho, sem avisar, para “visitar” os colegas, saber das últimas notícias e dar palpites.

Em minha cabeça, eu preservava relações e oferecia experiência. Na prática, começava a invadir um espaço que já não era meu.

Um dia percebi que estava atrapalhando. As pessoas — inclusive as mais próximas — recebiam-me por educação, respeito e consideração pelo passado. Tinham novas responsabilidades, novas lealdades e, provavelmente, novos problemas. Minha presença as colocava numa situação desconfortável: eu ainda me comportava como integrante de uma estrutura da qual já havia sido afastado.

A percepção foi dolorosa, mas libertadora. Compreendi que o vínculo afetivo podia permanecer; a autoridade, não. Desde então, jamais voltei a um antigo local de trabalho para rondar decisões, recolher novidades ou comentar assuntos da função que deixei. Nem para visita, nunca mais.


Refleti muito. Foi doído, mas passei a entender melhor o mecanismo. Quando alguém ocupa por muito tempo uma posição de destaque — sobretudo quando essa é sua primeira experiência desse tipo —, o cargo pode deixar de ser apenas algo que a pessoa exerce e passar a fazer parte do que ela acredita ser. Perder a função significa perder, de uma só vez, poder, status, renda, rotina, visibilidade, deferência e parte das relações que pareciam amizades. Não se perde apenas uma cadeira; perde-se uma identidade.

A sociologia chama de saída de papel o processo de desligamento de uma função central para a identidade e de reconstrução da vida em um novo papel. Quando essa passagem não se completa, nasce o limbo: o indivíduo já é um “ex”, mas continua pensando, falando e agindo como se o antigo título ainda o acompanhasse.

Nas organizações públicas e privadas, vemos ex-presidentes, diretores e gerentes tentando prolongar informalmente a influência que já não possuem. Alguns telefonam para antigos subordinados em busca de informações; outros criticam cada decisão dos sucessores; há quem preserve uma agenda social inteiramente construída em torno do velho cargo. Nem sempre existe má-fé. Muitas vezes, há luto, medo do anonimato e dificuldade de imaginar quem a pessoa será sem aquela função. Mas a dor da perda não autoriza a invasão do espaço alheio.

A organização também precisa saber administrar essa passagem. Uma despedida respeitosa, a transferência clara de responsabilidades e a definição de limites ajudam a evitar ambiguidades. Aos que ficam, cabe consideração sem submissão; aos que saem, gratidão pelo passado, sem pretensão de continuar governando o presente.

Rebaixamentos, aposentadorias, derrotas eleitorais, mudanças de carreira e até o fim de um casamento podem produzir fenômeno semelhante. Em todos esses casos, existe a tentação de permanecer emocionalmente instalado numa realidade que já terminou.

O risco é transformar uma fase de transição em residência permanente. Quem passa anos revivendo o cargo perdido fecha as portas para outros papéis, outras relações e outras formas de reconhecimento. Fica tão ocupado em assombrar o passado que não percebe o futuro esperando do lado de fora.

O primeiro passo para deixar de “penar” é aceitar uma frase difícil: acabou. Não acabou a experiência acumulada, nem o valor pessoal, nem a capacidade de contribuir. Acabou aquele mandato, naquela estrutura, sob aquelas condições. Experiência é patrimônio; cargo é circunstância.

Escrevo este relato especialmente para os profissionais da minha geração e das que vieram depois. Se minha experiência servir para que alguém reconheça a tempo os primeiros sinais dessa armadilha, ela terá cumprido uma de suas melhores funções: transformar um erro pessoal em aprendizado coletivo.

Depois vem a tarefa mais importante: construir uma nova identidade que não dependa do antigo crachá. Isso pode significar outra carreira, um projeto pessoal, atividade voluntária, estudo, mentoria — desde que solicitada — ou simplesmente uma vida menos subordinada ao poder e ao reconhecimento profissional.

Resiliência ajuda, mas não é um passe de mágica. A travessia exige consciência, limites, tempo e disposição para abandonar a antiga “realeza”. Em alguns casos, apoio profissional pode ser necessário para lidar com o luto, a ansiedade ou a depressão decorrentes da ruptura.

Conheci pessoas que permaneceram por muito tempo nesse limbo. Conheci também muitas outras que conseguiram “ressuscitar”, reorganizar a vida e construir trajetórias até mais ricas do que a anterior. A diferença começa quando se aceita que seguir em frente não apaga a história: apenas impede que ela se transforme numa prisão.

No fim das contas, a paz chega quando deixamos o passado ocupar o lugar que lhe pertence e começamos a cuidar, com humildade e coragem, da nossa próxima “encarnação”.

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Este artigo contou com o apoio do ChatGPT na revisão do texto e do Nano Banana na criação das imagens ilustrativas.


Nota editorial

Base conceitual acrescentada: a noção sociológica de role exit ou “saída de papel”, desenvolvida por Helen Rose Fuchs Ebaugh em Becoming an Ex: The Process of Role Exit. A referência serve para sustentar a intuição do artigo sem transformar a expressão “Síndrome da Alma Penada” em diagnóstico psicológico.


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Este post foi publicado no blog há tempos e estava “escondido” no baú de antiguidades da Oficina de Gerência. Reencontrei-o e lhe dei uma completa repaginada: é outro texto, sem perder o foco do tema. Espero que agrade aos novos leitores.